O peso de um bom roupão

Há um intervalo curto, entre a água e a roupa, em que o corpo ainda não voltou ao dia. O roupão é esse intervalo feito tecido. Roupão de banho gramatura certa envolve sem sufocar: se é leve demais, o frio entra; se é um felpudo de spa, o ombro trabalha. O que a pele reconhece sem comentário — o mesmo critério da cama.
Não é uniforme de bem-estar. É cobertura. Cinta que fecha, comprimento que cobre a coxa, tecido que seca antes do segundo banho. O resto é figurino.
Depois da água, o corpo não pede um cenário. Pede peso.
Linho, waffle, algodão
No calor, o linho e o waffle médio vencem o felpudo. Respiram, têm gramatura suficiente, não ficam horas úmidos no gancho. O algodão grosso tem lugar no inverno seco, ou em quem gosta de sair do banho já envolvido. Os dois podem viver na casa; não precisam ser coleção.
Um só, do tamanho certo, vale mais do que três herdados de hotel. O armário pequeno cabe no banheiro: o que não seca, sai. O que pede pose, também.
O gancho como ritual
O roupão que mora no chão deixa de ser objeto. Dois ganchos iguais, à altura da mão, ao lado da toalha. De manhã, depois da água e da janela, ele é o primeiro tecido do dia — antes da calça, antes da mesa em pé.
A Lavi não indica um spa doméstico. Indica o mínimo que impede o corpo de passar molhado da toalha fina à cadeira. Peso, gancho, repetição.
